Você sabe o que é neuropsicopedagogia? Confira

Entre as muitas opções existentes para se entender como se dá o aprendizado, nos últimos tempos, vem ganhando destaque a neuropsicopedagogia, uma área que interliga conhecimentos de psicologia cognitiva e de pedagogia, para possibilitar a compreensão da forma com que o cérebro dos sujeitos receptivos assimila as informações que são transmitidas a eles. Para alcançar esse objetivo, os atuantes da área, que é bem recente no Brasil, estudam a interação entre o funcionamento cerebral, a mente e o aprendizado, por meio de métodos rigorosamente científicos, que os levam a planejar intervenções precisas na intenção de promover o desenvolvimento dos sujeitos epistêmicos.
A partir dessa pequena introdução, mediante um transtorno de aprendizagem, a neuropsicopedagogia, ao mesmo tempo em que fortalece a identidade cultural e social do aprendente, também atua como uma espécie de linha divisória entre o sucesso e o fracasso escolar, conforme explica Cássia Ravena Mulin de Assis Medel, a entrevistada desta edição.
Guia Prático para o Professor do Ensino Fundamental I – O que é neuropsicopedagogia?
Cássia Ravena Mulin de Assis Medel – É uma área que estuda o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo como enfoque a aprendizagem. Por isso, a neuropsicopedagogia procura fazer inter-relações entre os estudos das neurociências com os conhecimentos da psicologia cognitiva e da pedagogia. Como um novo campo de conhecimento, ela vem abrindo bastante espaço para atuação, mas também exige muito estudo, pesquisa e conhecimento das funções cerebrais.
EF – Quais são os pontos principais da neuropsicopedagogia?
Cássia – Conforme Suarez e Fernandez, ela tem três pontos elucidativos. O primeiro é a Educação, cujo intuito é o de promover a instrução, o treinamento e a Educação dos cidadãos; o segundo, a Psicologia, com foco nos aspectos psicológicos do indivíduo; e o terceiro é a própria Neuropsicopedagogia, que estuda a teoria do cérebro trino, que oportuniza a teoria das múltiplas inteligências, propostas pelo psicólogo cognitivo norte-americano Howard Gardner.
EF – O que é cérebro trino?

Cássia – É a teoria que discute o fato de que nós, humanos e primatas, temos o cérebro dividido em três unidades funcionais diferentes e que cada uma dessas unidades representa um extrato evolutivo do sistema nervoso dos vertebrados. Ela foi elaborada pelo neurocientista Paul MacLean na década de 1970, mas só foi apresentada ao público em geral em 1990, ano em que ele lançou o livro The Triune Brain in Evolution: Role in Paleocerebral Functions.
EF – Quais as contribuições que a neuropsicopedagogia pode trazer?
Cássia – De acordo com as autoras colombianas que citei anteriormente, ela contribui para a Educação, pois abre possibilidades para o educador perceber o indivíduo em sua totalidade, a partir de conhecimentos neurocientíficos, pedagógicos e psicológicos.
EF – Esse conjunto de conhecimentos explica por que certos alunos têm dificuldades de aprendizagem?
Cássia – De certa forma sim, porque a neuropsicopedagogia faz os professores entenderem como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo. Logo, ela também proporciona melhoras nas perspectivas educacionais, enquanto desmitifica a ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns. Na verdade, ela sempre acontecerá, entretanto, para certos indivíduos, ela tem que vir acompanhada de muita estimulação e atividades diferenciadas. Nesse contexto, o ritmo de cada um ainda deve ser respeitado.
EF – Entre os estudiosos de Educação, quem se destaca nessa linha de pensamento?
Cássia – Entre outros, Tracey Tokuhama Espinosa, consultora educacional internacional, que realiza workshops para pais, professores e profissionais da Educação sobre temas referentes à aquisição da linguagem, desenvolvimento do cérebro, estilos de aprendizagem, pensamento crítico e metodologias de ensino. Ela trabalha em estreita colaboração com o Conselho Europeu de Escolas Internacionais, com o Conselho Regional Ásia Oriental de Escolas no exterior e com a Associação de Escolas Americanas da América Central, Colômbia, Caribe e México, conhecida como Associação Tri. Sua linha de pensamento tem uma importância significativa, tanto que pode ser utilizada como elemento relevante nas intervenções neuropsicopedagógicas.
EF – O que Tokuhama Espinosa defende?
Cássia – Entre outras coisas, ela prega que estudantes aprendem melhor quando são altamente motivados; que o estresse, a nutrição e o sono impactam a aprendizagem; que a ansiedade bloqueia oportunidades de aprender; que o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador ou não; que a expressão facial leva ao julgamento quase que instantâneo de intenções boas ou más; que o feedback é importante para o aprendizado; e que o movimento pode potencializar as oportunidades do aprendizado.
EF – Qual a relação entre esses tópicos e os estilos de aprendizagem?
Cássia – Considerando que estilos de aprendizagem significam preferências cognitivas, todos eles evidenciam a estrutura única do cérebro de cada indivíduo, o que justifica a diferenciação nas práticas de sala de aula em virtude das diferentes inteligências dos alunos.
EF – Quais são suas considerações finais?
Cássia – De acordo com o que explanei, posso afirmar que o ato de aprender é muito complexo e não envolve somente a questão de memorizar os conteúdos. Ele é muito mais do que isso, já que envolve emoção, interação, alimentação, descanso, motivação, entre outros.

Fonte: UOL

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