15 de jul de 2016

Quem foi Mata Hari, a mulher inspirou o novo romance de Paulo Coelho?

Em setembro acontece o lançamento mundial de “A Espiã”, o novo livro de Paulo Coelho. Na obra, o autor cria um romance baseado na troca de cartas entre a dançarina Mata Hari e seu advogado, escritas antes da moça ser executada, sob acusação de espionagem, na França, durante a Primeira Guerra Mundial. Mas quem foi exatamente essa mulher cuja história agora serve de inspiração para o mago?

Mata Hari foi fuzilada no dia 15 de outubro de 1917, aos 41 anos, na cidade de Vincennes. Registros dão conta de que, no momento cabal, ela se vestia com botas, saia, um corselete, casaco, luvas e chapéu. Sim, nem mesmo para ser alvejada por tiros fatais ela deixou de lado a elegância e a sensualidade, dois traços que definiram os rumos de sua vida. Há até quem diga que ela mandou beijos aos soldados que a matariam, inclusive.

Nasceu no dia 7 de agosto de 1875 em Leeuwarden, na Holanda, com o nome de Marguerite Gertrude Zelle. Depois de um tempo casada com um capitão holandês e vivendo na Indonésia, separou-se e mudou para Paris em 1903, onde só arrumou oportunidades para posar nua em troca de algum escasso dinheiro. Desiludida, regressou à terra natal onde foi amante de um milionário, mas por pouco tempo. Voltou mais uma vez à capital francesa decidida de que se fixaria, de alguma forma, por ali.

Começou, então, a fazer strip-tease numa boate, o que acabou por chamar atenção de produtores culturais e franceses endinheirados. Passou a levar sua dança sensual para nobres, aristocratas e ate príncipes, bem como a fazer apresentações para um público mais amplo em casas de shows. Evidentemente, do mesmo jeito que ganhava fama, conquistava amantes ricos e poderosos e galgava espaço nos círculos da elite francesa numa época que precedia a Primeira Guerra.

Seguiu alternando apresentações públicas com espetáculos privados e eventuais abandonos temporários da carreira para viver com afortunados. Mudou-se para Berlim, onde, em 1914, estava prestes a iniciar mais uma temporada de shows quando a guerra começou. Dois anos depois, quando passava por Londres para tentar regressar a Paris, em uma Europa já com fronteiras bastante cerradas, foi acusada pelos ingleses de espionagem após alerta feito pela inteligência italiana, que desconfiara das andanças da moça, de seus contatos e de seu leve sotaque alemão.

Foi julgada e condenada na França, mas a sentença até hoje gera desavenças: há quem defenda que Mata Hari nunca atuou como espiã e que as provas utilizadas para sua condenação (como uma declaração a um jornal dizendo que se sentia “berlinense”) eram parcas, insuficientes para levar alguém à morte. As cartas que escreveu após a condenação e que agora servem de inspiração para Paulo, inclusive, mostram uma dançarina desesperada para provar sua inocência. No entanto, há quem garanta que documentos alemães revelados posteriormente não deixam dúvidas de que Mata Hari era uma espiã que atuava com o codinome de H21.


Ou seja, um século depois de seu assassinato ainda não está claro se a execução foi justa – se é que existem execuções justas – ou não, o que sem dúvidas lhe transforma em uma personagem bastante interessante, que serviu de base para diversas espiãs sensuais que apareceriam nas artes nas décadas seguintes, inclusive. Resta saber o que Paulo, que a considera “uma das nossas feministas ao desafiar as expectativas masculinas da época e eleger uma vida independente da convencional”, fará com sua história.

Via - UOL
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