Excluídos da eleição brasileira, 40 mil votam em SP para presidente da Bolívia no domingo (12)

Comunidade boliviana na capital paulista reclama de não poder participar da vida política brasileira; no domingo, eles decidirão se Evo Morales prossegue como presidente.

Cerca de 40 mil bolivianos que residem em São Paulo poderão votar nas eleições presidenciais da Bolívia no próximo domingo (12/10). No total, 13 zonas eleitorais serão instaladas na região metropolitana de SP - que abriga 90% da comunidade boliviana do Brasil - para que os eleitores decidam se Evo Morales continuará como dirigente do país.

O TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) boliviano estima que 272.058 pessoas, distribuídas em 33 países, participarão do pleito votando no exterior. A cidade de São Paulo é a segunda – atrás de Buenos Aires - maior zona eleitoral fora da Bolívia. Argentina, Espanha e Brasil são os países com o maior número de eleitores bolivianos.

Em números gerais, o TSE estima que cerca de 5 milhões de eleitores comparecerão às urnas para eleger presidente, deputados e senadores. Quem está fora da Bolívia, no entanto, só poderá votar para presidente e vice.

“A expectativa da comunidade boliviana em SP para eleições presidenciais é muito grande, pois vão poder exercer o seu direito de cidadania mesmo fora do país. O número de eleitores no exterior é de 5% do total, o que aumenta a importância desses votos para o resultado final”, afirma a vice-cônsul da Bolívia no Brasil, Vania Claros.

O número de eleitores “estrangeiros” para as eleições de domingo (12) poderia ser maior se bolivianos sem documentos que moram no Brasil pudessem ir às urnas. Segundo dados da Polícia Federal de 2013, cerca de 100 mil cidadãos da Bolívia vivem em situação ilegal no país.

Bolivianos reclamam de não poder votar no Brasil

Embora prometam ir às urnas para as eleições presidenciais, os bolivianos reclamam de não poder participar da vida política do país onde residem.

“Apesar de poder votar para eleições da Bolívia, seria mais importante votar no Brasil. Essa é uma luta dos imigrantes, pois, como moramos aqui há muito tempo, gostaríamos de participar da vida política. Sem direito ao voto, somos considerados cidadãos invisíveis para os políticos em São Paulo”, critica Luis Vasquez, presidente da Associação dos Empreendedores Bolivianos de SP.

“Moramos aqui, nossos filhos vão às escolas públicas, pagamos impostos assim como todos os brasileiros, mas não podemos votar. E, se você não pode votar, você é um cidadão invisível”, reitera a comerciante Joseliny Maria, que mora no Brasil há mais de 20 anos.

Atualmente, tramita no Congresso Nacional uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para permitir que estrangeiros residentes no Brasil em situação legal possam participar das eleições. No texto da PEC, assinado pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), a medida tem como objetivo impedir que milhões de estrangeiros que vivem no Brasil recebam tratamento "desigual e discriminatório". 

"Sofremos preconceito e somos discriminados por sermos estrangeiros. Somos muitos (imigrantes) aqui no Brasil. Se pudéssemos votar, faríamos a diferença no resultado das eleições e os políticos teriam que olhar para as demandas dos imigrantes", diz o comerciante Ramiro Díaz.

Fonte: operamundi
Por Dodô Calixto

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