16 de mai de 2014

Chegada do Enem desperta a dúvida: qual carreira seguir? O que eu vou ser quando crescer?


As inscrições para o Enem estão abertas e várias das minhas leitoras têm me perguntado como eu escolhi a minha profissão e que conselhos eu poderia dar para ajudá-las nessa decisão. Isso parece tão simples quando a gente é criança, né? Sempre temos na ponta da língua a resposta para a clássica pergunta “O que você vai ser quando crescer?”, e ela geralmente é: “Bailarina”, “Cantora”, “Jogador de futebol”… Na infância levamos em conta apenas a emoção para responder, pois é a etapa em que acreditamos que nossa vontade basta para tornar as coisas possíveis. Os pais acham graça e até incentivam aqueles sonhos, porém, basta chegar à adolescência que descobrimos que o incentivo era só por terem achado que tudo não se passava de fantasia infantil. E então nos explicam que não basta sonhar com uma profissão… É preciso escolher uma carreira segura. Que nos sustente, que dê status, que possa realizar as nossas ambições…

Essa fase realmente não é fácil. Lembro que, na época do vestibular, todos me cobravam uma resposta, afinal, com 16 anos eu já deveria saber o que almejava fazer pelo resto da minha vida, certo? Errado. Eu pelo menos não tinha a menor ideia do que queria para o meu futuro. Só sabia que era louca por música, que adorava escrever, que amava animais e que detestava matemática e física. Eu invejava profundamente os meus colegas que desde os cinco anos de idade diziam: “Quero ser médico!”, e durante a vida inteira se prepararam mentalmente para isso. Eu não era assim… Até o momento de fazer a inscrição no vestibular eu ainda tinha dúvidas. Acabei escolhendo jornalismo, pois isso parecia a coisa certa a se fazer. Eu era muito boa em português, gostava de fazer redações, escrevia poesias… Mas guardei no fundo do peito a vontade de também ser veterinária. Quando intimamente eu achava que devia era estudar música.

Mas bastou entrar na faculdade para que eu percebesse que o que a gente pensa que sabe sobre uma profissão não é bem o que ela é na prática.

E também que não basta ter aptidão. É preciso se perguntar: eu gosto disso como um hobby ou para fazer obrigatoriamente todos os dias da minha vida? Descobri isso porque logo que eu passei a ser obrigada a escrever, vi que não era daquele jeito que eu queria… Eu gostava era de colocar minhas emoções no papel e não de relatar os fatos imparcialmente. Foi quando eu entendi que não era bem ser jornalista que eu desejava… A minha vontade real era de ser escritora.

Só que aí entrou aquilo que eu falei lá em cima. A vida inteira eu havia aprendido que “escritora” não era uma “profissão”. Os escritores que eu conhecia não eram apenas escritores… Eles eram escritores e médicos, escritores e jornalistas, escritores e professores… Então em vez de investir nisso de cara, transferi para o curso de publicidade, uma carreira em que eu poderia ser criativa e ter estabilidade ao mesmo tempo. A partir de então, passei a escrever só nas horas vagas e apenas vários anos depois da formatura, quando percebi que eu continuava insatisfeita, é que resolvi largar tudo e ir passar um ano em Londres, onde fiz um curso de Escrita Criativa que mudou minha vida. Na verdade, não foi bem o curso, mas o fato de ele ter me despertado a vontade de escrever um romance do início ao fim. E foi esse romance (o “Fazendo meu filme”), que transformou toda minha história e que me fez descobrir que ser escritora é sim uma profissão de verdade.

Então, esse é o conselho que dou para as minhas leitoras e para todos os jovens que estão indecisos nesse momento de escolha profissional: não pense que sua decisão é permanente. Você não tem que acertar de primeira. A vida é longa, dá tempo de experimentar algumas vezes antes de escolher o caminho definitivo. E mesmo depois de escolhido, ainda dá para voltar atrás, “resetar” o jogo, começar tudo de novo… Claro, que quanto antes descobrir o que realmente quer, mais cedo você vai se realizar profissionalmente. Mas não pense nessa escolha como se fosse sua única chance, senão a pressão pode atrapalhar muito!

Mais alguns conselhos que eu daria a mim mesma na época do vestibular, sobre atitudes que eu deveria ter tido:

- Converse com gente que atua na área que você tem interesse. Peça para acompanhá-la no trabalho por alguns dias. O mesmo em relação ao curso. Tente assistir a aula de alguma matéria dele na faculdade, para sentir se é o que você realmente espera.

- Escolha uma profissão em que você possa trabalhar com algo que faria até de graça! Assim o trabalho nunca vai se tornar um fardo e é provado que as pessoas que mais se destacam profissionalmente são as que gostam do que fazem.

- Pesquise o mercado. Infelizmente ninguém vive apenas de luz do sol, ganhar dinheiro é importante. Procure saber qual é a base salarial das pessoas que exercem a profissão que você está interessada e pense se essa quantia é o que você almeja para o seu futuro.

- Se os seus pais discordam da sua opção, converse muito, não pense que é implicância gratuita. Tente entender o motivo por eles quererem que você siga outro caminho. Com certeza eles só desejam o seu bem e têm mais experiência de vida… Mas se você realmente sonha com outra profissão, mostre para eles que é apenas ela que te fará feliz. Eles vão acabar entendendo, porque, no fundo, todos os pais querem isso: que os filhos sejam felizes.

Boa escolha para você! Ah, o mais importante: lembre-se daquela frase superclichê, mas que é tão verdadeira “Siga o seu coração”!

Beijinhos!

Paula

Fonte: Veja
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