A vergonha do boy do arrastão




José Adaílton dos Santos ganhou o apelido e ficou conhecido na rede após ser filmado saqueando uma CPU na greve da PM.

Da última vez que entrou em uma unidade policial, José Adaílton dos Santos, 18 anos, trabalhava como ajudante de pedreiro na reforma da Delegacia de Joana Bezerra, bairro onde ainda mora com a mulher e a filha de 11 meses de idade. Ontem à noite, após depôr, ele deixou a Delegacia de Afogados respondendo por um crime. Sem antecedentes criminais e assustado com a presença da imprensa, deixou o local escondendo o rosto.

Desde a quinta-feira, quando foi filmado e fotografado saqueando a CPU de um computador em uma loja de Afogados durante a greve da PM, José Adaílton deixou o anonimato através da internet. Além de receber críticas de vizinhos, internautas e familiares, virou chacota e ganhou um apelido virtual inspirado no nome de uma página criada no Facebook para propagar montagens e piadas do episódio: Boy do arrastão.

Quatro horas antes de depor, José Adaílton conversou com o Diario nas escadas da delegacia. Disse estar “envergonhado” e ciente da repercussão do caso: “Minha foto já está em todo canto. Estou envergonhado pelo que fiz. Muitos falaram que não era para fazer isso. No outro dia eu já me arrependi quando vi na televisão que estavam entregando (os produtos)”.

No dia mais tenso dos últimos anos no estado, José Adaílton voltava de bicicleta para casa depois de uma “ôia”, como chama o serviço de ajudante de pedreiro, quando uma aglomeração chamou sua atenção: “A loja já estava com o portão arrombado, aí passei e entrei. Quando entrei, só tinha aquilo (a CPU). Aí eu peguei e fui embora.”

Foi a mulher de José Adaílton, a estudante de costura Rebeca Correia, 18 anos, que entregou a peça à polícia no dia seguinte ao saque: “Estava na casa da minha tia. Quando voltei, já estava isso na minha casa e todo mundo dizendo que ele pegou. Foi quando eu falei com ele vim trazer na sexta-feira. Ele já queria entregar”, diz ela.

Rebeca recebe uma bolsa de R$ 400 por um curso de costureira, além do Bolsa Família. Eles moram em uma casa emprestada pela mãe de José Adaílton, situada embaixo do Viaduto Capitão Temudo, no Complexo de Joana Bezerra. A renda familiar é complementada pelos bicos de servente de pedreiro, que nem sempre aparecem.

Mais tranquila que o marido, a mulher contou como o casal soube da repercussão da imagem: “Ficamos sabendo pelos outros. Os vizinhos criticavam e brincavam. Diziam que ele ia ser preso. Ele ficou nervoso e arrependido. A prima dele viu no Facebook das amigas e foi lá dizer a ele.”

Fonte: Diário de Pernambuco

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