12 de mar de 2013



 

 
    No episódio conhecido como "Revolta da Chibata",       1910.

 
Um dia após a Proclamação da República (1889) ficara estabelecido que castigos físicos deveriam ser abolidos da Marinha do Brasil. Contudo, a decisão foi suspensa um ano depois através de um decreto publicado no Diário Oficial, em que estava previsto:

"Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo."

O retorno a práticas degradantes como castigo incomodou os marinheiros, em sua maioria negros e mulatos, pois remontava à época da escravidão, abolida em 1888. 

As faltas mais graves eram punidas com até 25 chibatadas, ainda existia o uso do "bolo", que consistia em bater com a palmatória nas mãos estendidas dos marujos, entre outros castigos corporais.

Os abusos tornaram-se cada vez mais frequentes, levando João Cândido Felisberto, conhecido como "Almirante Negro", a criar um Comitê para a organização de uma revolta contra o código disciplinar. 

Por dois anos a revolta foi organizada, até que em 1910, após o marinheiro Marcelino Rodrigues ter sido castigado com 250 chibatadas, a revolta estourou em 22 de novembro.

Os termos da revolta da chibata, como ficou conhecida, eram claros, ou o governo abolia as práticas degradantes e abusivas, ou os encouraçados São Paulo e Minas Geraes (nas fontes modernas, "Minas Gerais"), atracados na Baía de Guanabara, bombardeariam o Rio de Janeiro, à época capital federal,

 
"Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já. Caso não a tenhamos, bombardearemos as cidades e os navios que não se revoltarem." (Carta de João Cândido, porém escrita por outro marinheiro)

 
 Após 5 dias de pressão, o presidente Marechal Hermes da Fonseca aceitou o ultimato dos revoltosos, abolindo os castigos físicos e anistiando os revoltosos que se entregassem. 

Contudo, dois dias após a entrega das armas, foi emitido um novo decreto declarando que seriam expulsos da Marinha elementos inconvenientes à disciplina e no dia 2 de dezembro foram expulsos 16 marinheiros.

A reviravolta nas decisões políticas ocasionou uma segunda revolta, fortemente reprimida com prisões e mortes. João Cândido foi internado como louco no Hospital de Alienados, porém sendo absolvido dois anos depois.

Texto de Talita Lopes Cavalcante
Administração Imagens Históricas

Foto de Augusto Malta, Rio de Janeiro, 1910, Acervo Fundação Biblioteca Nacional.

Fontes:

- MAESTRI, Mário. 1910: a revolta dos Marinheiros. Uma saga negra. 3 ed. São Paulo: Global, 1982

- KOSSOY, Boris. Um olhar sobre o Brasil: A fotografia na construção da imagem da nação (1833 - 2003). 1° edição. São Paulo: Fundación Mapfre e Editora Objetiva, 2012. p. 18.

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