24 de nov de 2012

História da Cachaça

Reprodução da Cachaça

Descontentes com o crescente consumo da Cachaça e a conseqüente desvalorização da Bagaceira e dos vinhos provenientes da Corte, os Portugueses editam a Carta Régia de 1647 na qual proíbem o consumo da cachaça visando manter seu monopólio.

O consumo só era permitido aos escravos e em Pernambuco, que nessa época encontrava-se sob domínio holandês. Porém, em 1654 os holandeses são expulsos e a concorrência do açúcar brasileiro com o das Antilhas acaba diminuindo o lucro dos Senhores de Engenho.

Para compensar essa queda os Senhores passam a produzir a Cachaça, obtendo lucro com o tráfico para angola. Para coibir a ilegalidade, nova ordem é expedida, em 1659, ordenando a destruição de todos os alambiques da colônia, bem como a dos navios que transportassem o produto.

O caráter ilícito do comércio de cachaça nessa época não vigorava no estado do Rio de Janeiro, onde o seu governador Salvador Correia de Sá e Benevides havia liberado o consumo da cachaça, e o conseqüente pagamento de taxas relativas a ele, como forma de driblar a crise financeira vivida pelo setor açucareiro.

Embora na cidade do Rio de Janeiro não ocorressem incidentes, os produtores da região norte da Baía da Guanabara, rebelaram-se contra a taxa.

Durante a madrugada de 8 de novembro de 1660, liderados pelo fazendeiro Jerônimo Barbalho, 112 senhores de engenho, exigiam o fim da cobrança das taxas, bem como a devolução daquilo já arrecadado. 

Tomé de Souza Alvarenga, tio do governador, e em exercício durante sua ausência devido a uma viagem a São Paulo, mostrou-se fraco diante dos amotinados que, sob a promessa de pagamento dos soldos em atraso, haviam conseguido a deserção dos soldados.

Na praça é aclamado Agostinho Barbalho novo governador, buscou esfriar os ânimos, fez nomeações e procurou agradar a família Correia; suas atitudes conciliadoras agradaram a Salvador de Sá que, informado dos acontecimentos em São Paulo, reconheceu-lhe no cargo – apoio que gerou a insatisfação dos revoltosos, fazendo-o derrotado nas eleições para a Câmara, que havia convocado.

Seu governo terminou em 6 de fevereiro de 1661, quando a Câmara conduziu seu irmão, Jerônimo Barbalho, à governadoria. Este agiu autoritariamente, perseguindo aos jesuítas, aliados de Salvador de Sá, e também aos militares. 


Isso fez-lhe surgir poderosa oposição
Instado pelos padres da Companhia de Jesus, Salvador de Sá organizou uma tropa de paulistas (na maioria índios e mestiços), e o apoio de dois navios que lhe foram da Bahia para o litoral fluminense, chegando em abril.

O Rio de Janeiro foi atacado de surpresa, na madrugada de 6 de abril. As tropas baianas vieram pela praia, enquanto Salvador de Sá invadiam com os seus pelo interior. Apanhados de surpresa, os revoltosos não opuseram resistência. Porém, o Conselho Ultramarino, deu razão aos rebelados.

Salvador de Sá foi afastado de suas funções. e teve de responder em Portugal por seus excessos. Os rebeldes condenados foram libertados.

Ainda em 1661 a regente Luísa de Gusmão liberou a produção da cachaça no Brasil. A medida incrementou o tráfico com Angola e a economia fluminense.

O comércio local, entretanto, continuava vedado, mas a repressão era nula, contando até com a participação das autoridades: 

João da Silva e Souza, que governou o Rio de 1670 a 75, era o principal contrabandista

A proibição foi revogada, finalmente, em 1695. A cachaça, que motivou e deu nome à revolta – à época também chamada de “aguardente da terra” e jeritiba – teve sua produçao elevada, em uma década, a 689 pipas (barril de 450 litros) ao ano (ou cerca de 310 mil litros).

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